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Militares dão golpe na Guiné, capturam presidente e anunciam toque de recolher

Golpe em Guiné

06/09/2021 21h51
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Por: Redação Fonte: https://www.otempo.com.br/

As forças de elite da Guiné afirmaram neste domingo (5) ter capturado o presidente Alpha Condé, conquistado a capital Conacri e “dissolvido” as instituições, e anunciaram um toque de recolher nacional.

Este golpe de Estado militar pode tirar do poder um veterano da política africana que se encontrava cada vez mais isolado. 

Não foram registradas até então mortes durante o golpe, apesar do intenso tiroteio ouvido pela manhã na capital deste país da África Ocidental, que há meses atravessa uma grave crise econômica e política.

O possível fim de mais de dez anos de governo de Condé provocou cenas de júbilo em várias partes da capital.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, condenou “veementemente” o aparente golpe na Guiné e exortou os oficiais que afirmam ter tomado o poder e dissolvido o governo a libertarem o presidente de 83 anos.

“Decidimos, depois de prender o presidente, que atualmente está conosco (...), suprimir a Constituição em vigor, dissolver as instituições, e também o governo, assim como fechar fronteiras terrestres e aéreas”, declarou um dos golpistas, em um comunicado publicado nas redes sociais.

Denunciando o “caos” do governo, o chefe das forças especiais, tenente-coronel Mamady Dumbuya, envolvido em uma bandeira guineana, reiterou sua declaração em rede nacional. 

Os golpistas transmitiram um vídeo do presidente preso. Ao ser questionado sobre se foi maltratado, Condé, de jeans e camisa, sentado em um sofá, nega-se a responder. 

“Temos todo Conacri e estamos com todas as forças de defesa e segurança para acabar de uma vez por todas com o mal guineense”, declarou o tenente-coronel Dumbuya, uma personalidade até então desconhecida, à rede de televisão France 24.

- “Reescrever uma Constituição juntos” -

Por sua vez, o Ministério da Defesa afirmou em nota que a guarda presidencial repeliu os “insurgentes” quando tentaram tomar o palácio presidencial. Depois desse comunicado, porém, as autoridades ficaram em silêncio.

Centenas de residentes de Conacri, especialmente nos subúrbios favoráveis à oposição, saíram às ruas para torcer pelos soldados, descobriram jornalistas da AFP.

“Estamos orgulhosos das forças especiais, vergonha à milícia do ex-presidente Alpha Condé, morte aos torturadores e assassinos de nossa juventude”, exclamou um manifestante sob condição de anonimato.

“Vamos reescrever uma Constituição juntos, desta vez, toda a Guiné”, garantiu o líder golpista. “Não precisamos mais estuprar a Guiné, precisamos fazer amor com ela, simplesmente”, concluiu.

Os principais líderes da oposição, ao serem procurados pela AFP, não quiseram comentar.

Mas a Frente Nacional de Defesa da Constituição (FNDC), coalizão de movimentos políticos e da sociedade civil que liderou o protesto contra um terceiro mandato de Condé, disse que tomou conhecimento da “detenção do ditador” e das declarações dos militares sobre a Constituição.

- Tiros no ar -

Pela manhã, ressoaram disparos com armas automáticas pesadas no bairro de Kalum, centro nevrálgico de Conacri, onde ficam a sede da presidência, de instituições e escritórios empresariais.

“Vi uma coluna de veículos militares, a bordo dos quais soldados muito excitados atiravam para o alto e entoavam slogans militares”, contou à AFP um morador do bairro do Tombo, perto do centro. 

Um diplomata ocidental disse à AFP que “não tinha a menor dúvida” de que uma tentativa de golpe estava em curso, liderada pelas forças especiais guineenses. 

Há meses, este país da África Ocidental atravessa uma grave crise econômica e política, agravada pela pandemia da covid-19. É um dos mais pobres do mundo, apesar de consideráveis recursos minerais e hídricos. 

Ex-oponente histórico, preso e até condenado à morte, Condé foi o primeiro presidente democraticamente eleito no país, em 2010, após décadas de regimes autoritários.

Para seus opositores e para os defensores da democracia, Condé faz parte da lista de líderes africanos que permanecem no poder além do que estipulado, com cada vez mais frequência e com base em argumentos jurídicos.

No ano passado, sua candidatura para um terceiro mandato gerou meses de tensão, com dezenas de mortos e presos. 

Condé foi finalmente proclamado presidente para um novo mandato em 7 de novembro, apesar dos apelos de vários candidatos que denunciaram todo o tipo de irregularidade eleitoral. 

Defensores dos direitos humanos denunciam uma guinada autoritária nos últimos anos da presidência de Condé.

 

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