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Cobiçada por dinheiro do País todo, Ribas cresce com casa de isopor e preço alto

Cobiça por dinheiro

16/09/2021 19h38
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Por: Redação Fonte: https://msnews.com.br/
Cobiçada por dinheiro do País todo, Ribas cresce com casa de isopor e preço alto

Entrevista com representantes do setor imobiliário em Ribas do Rio Pardo requer tempo: a toda hora celular vibra e as ligações para fechar negócios pipocam. O tal “boom' imobiliário, anglicismo para definir desenvolvimento acelerado, corre de boca em boca.

E, no município a 103 quilômetros de Campo Grande, não resta dúvida de que não se trata apenas de uma força de expressão: endinheirados de todo País buscam seu quinhão de terra no município sede da fábrica de celulose que vai movimentar bilhões.

O efeito adverso é o valor abusivo e quem perde o teto porque o locatário encerra contratos em busca de aluguéis mais polpudos. Com déficit de três mil moradias, as novas construções se aceleram e uma das técnicas é a “casa de isopor', erguida na metade do tempo da versão tradicional.

A escalada dos preços pode ser medida no Bairro Estoril, que cresce na margem direita da BR-262, sentido Água Clara, e cria a “Ribas do Rio Pardo nova'. Desde 2000, o avanço da urbanização já fez surgir os bairros Estoril 1,2,3 e 4, além do Altos do Estoril.

De acordo Fábio Silva de Úngaro, proprietário da VM Imóveis, até o mês de dezembro de 2020, era possível comprar terreno de 360 metros quadrados por R$ 18 mil. Em janeiro, o preço chegava até a R$ 35 mil. Agora, no mês de setembro, o custo alcança a média de R$ 80 mil.

Os terrenos se destinam à revenda e à construção de quitinete. O pagamento é à vista. Antes da corrida imobiliária, os clientes eram investidores eventuais e construtores do programa de habitação do governo federal.

A alta foi mais de 100%. São investidores de fora, de vários lugares do Brasil. Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Espírito Santo. Fica difícil até enumerar de todas as regiões que vieram. Foi da água para o vinho. Anunciou a Suzano e a gente começou a ter essa procura', afirma Fábio.

A imobiliária também teve procura de investidores de Portugal e Estados Unidos. “Fiz a captação de imóvel em Campo Grande, num condomínio fechado, para uma cliente que mora nos Estados Unidos. Ela viu a divulgação da fábrica de celulose e acha que pode vender o imóvel para quem preferir morar em Campo Grande, cidade que já tem tudo que não tem aqui', conta. A Capital fica à uma hora de Ribas do Rio Pardo.

Durante a entrevista, ligações de Minas Gerais vibram no celular de Fábio. Ele conta que muitos moradores ainda seguram os terrenos, sonhando com preços mais vantajosos. “Se você segura demais, daqui a um ano e meio, devem sair loteamentos grandes. A pessoa vai ter a opção de comprar parcelado'.

A VM Imóveis só atua com compra e venda, mas Fábio acaba acompanhando os efeitos da lei da oferta e da procura nos aluguéis. “Você tira pessoas da casa dela para cobrar o dobro. Pessoas que pagavam aluguel há cinco, seis anos. As pessoas são tiradas de casas. Infelizmente, é a lei da oferta e da procura'.

Casa de isopor: novidade acelera obra

Na busca por imóveis, empresas optam até por pagar aluguéis antecipados para segurar o negócio. “Como a cidade é muito pequena, pagam três, quatro meses, mesmo fechado, para segurar o negócio', diz Fábio, que investe na construção de 12 quitinetes, no Bairro Nossa Senhora da Conceição.

Metade delas é no sistema ICF, que usa fôrma de isopor para a construção de paredes de concreto. Essa parte da história é contada por Osmar Medeiros. Depois de 27 anos atuando na construção civil do município, ele se frustrou com a pasmaceira econômica e se mudou para a zona rural de Ribas do Rio Pardo, no ano de 2016.

Agora, diante das novas oportunidades, voltou para o setor imobiliário com as casas que utilizam o sistema construtivo ICF. Ele explica que se uma casa de alvenaria normal demora 60 dias, a de isopor leva a metade do tempo. Segundo Osmar, a parede de tijolo passa em teste para suportar seis toneladas, enquanto que a do modelo ICF resiste a 140 toneladas de pressão. O modelo também oferece melhor conforto técnico e isolamento acústico.

O formato também conquista os pedreiros pela agilidade. Em vez de assentar tijolo por tijolo, o processo para rechear as fôrmas de isopor é mais célere. Na linha de frente da construção civil há quatro décadas, o mestre de obras Josué Domingos da Silva, 58 anos, conta que a demanda aumentou, com pedreiros nem dando mais conta de tanto trabalho. Num ritmo de quem não pode parar, fala com a reportagem enquanto dobra vergalhões.

“Preço que até assusta'

O novo normal decorrente da chegada da fábrica da Suzano também inclui aluguel nas alturas. Segundo Linto Wilmar Ferreira, corretor e proprietário da Livre (Linto Imóveis, Veículos e Reflorestamento), o valor da quitinete dobrou. Antes do anúncio da nova planta industrial de celulose, a quitinete com quarto, banheiro e pequena copa tinha aluguel de R$ 300. Agora, é de R$ 600 para mais.

Quem entra na imobiliária, localizada no Centro de Ribas do Rio Pardo, em busca de quitinete, precisar esperar que surja algum imóvel para locação. “Nós temos que trabalhar para conseguir. A gente procura acomodar todo mundo. Temos imóveis locados com preço que até assusta', diz Linto, sem esconder o espanto com as novas cifras de aluguel no município. O imóvel mais caro tem aluguel de R$ 90 mil. Antes, custava R$ 20 mil e não era fácil de locar.

Na locação de terrenos, o metro quadrado mais caro fica às margens da BR-262, no sentido à fábrica. “Veja bem, um meio hectare hoje é R$ 5 mil o aluguel. Só o terreno, sem luz, sem água, sem nada. Eu considero caro, bem caro'.

Na Avenida Aureliano Moura Brandão, a principal da cidade, o valor do terreno de 360 metros quadrados era de R$ 600 mil, agora, no efeito Suzano, o preço dobrou: R$ 1,2 milhão. O novo normal contagia e Linto também vai dar cara nova ao prédio da imobiliária.

Vou melhorar para poder acompanhar o desenvolvimento. Vou colocar vidro, deixar bem bonito para receber o pessoal que está chegando aí, os investidores', afirma Linto.

“De certa forma, abusiva'

O prefeito João Alfredo Danieze (Psol) afirma que Ribas do Rio Pardo precisa de três mil novas casas. “O mercado imobiliário reagiu de forma assustadora. Houve muitas transações de lotes, chácaras, fazendas. Isso impactou bastante a receita. Mas estamos numa especulação imobiliária, de certa forma, um pouco abusiva. Mas é o que chamamos da lei da oferta e da procura. Não tem como intervir', diz o prefeito.

A diária de um pedreiro que era de R$ 120, agora chega a R$ 250. Contudo, nem se acha mão de obra local e construtores buscam profissionais em outras cidades. “Numa casa simples, cobra-se R$ 2 mil de aluguel, um trabalhador não tem condições de pagar isso, é lamentável'.

No mês passado, o governo do Estado autorizou construção de 250 bases para novas casas, com investimento previsto de R$ 3,6 milhões.

 

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